Cada criança tem seu tempo?

Por mais que os pais sempre ouçam que não devem comparar os seus filhos com outras crianças, parece ser inevitável. "O filho da minha vizinha andou com 10 meses e o meu já tem 1 ano e não anda". Mas será que é tão errado assim comparar?
22 de Novembro de 2017

   

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    Os marcos do desenvolvimento são motivo de grande ansiedade para a maioria dos pais. "Meu filho vai firmar o pescoço no tempo certo? Com quantos meses ele deve sentar sem apoio? E engatinhar? Andar? Falar?"


    Por mais que os pais sempre ouçam que não devem comparar os seus filhos com outras crianças, parece ser inevitável. "O filho da minha vizinha andou com 10 meses e o meu já tem 1 ano e não anda", "O filho da minha prima falava tudo com 1 ano e o meu já tem 1 ano e meio e não fala nada".

 
    Mas será que é tão errado assim comparar?


    Existe uma sequência gradual e uma temporalidade que guiam o desenvolvimento neuropsicomotor de todas as crianças. Fatores intrínsecos (genéticos, neuro-hormonais e  psicológicos) e extrínsecos (nutricionais, sócio-econômicos e ambientais) podem afetar o desenvolvimento infantil, principalmente nos primeiros 3 anos de vida quando a multiplicação neuronal é intensa.


    Embora possam haver pequenas diferenças na sequência e na temporalidade que cada criança atinge determinado marco do desenvolvimento, devemos ficar atentos quando esta diferença passa a chamar atenção e ser significativa. Os pais devem comentar com o pediatra, ou vice-versa, para que o desenvolvimento da criança seja avaliado com mais detalhes e que sejam aplicados testes de triagem.


    Atualmente na pediatria utilizamos o Teste de Triagem do Desenvolvimento de Denver II que foi reformulado em 2010 (TTDD-R) para avaliar o desenvolvimento infantil de 0 a 6 anos. Nela estão determinados os períodos em que 90% das crianças atingem determinado marco do desenvolvimento.


    Para exemplificar, baseado nessa e em outras escalas, podemos nomear os principais marcos de cada faixa etária até os 2 anos de idade:

  • 1 mês - segue objetos com o olhar;
  • 2 meses - sorriso intencional;
  • 3 meses - consegue juntar as duas mãos;
  • 4 meses - imita sons que ouve;
  • 5 meses - passa um objeto de uma mão para outra;
  • 6 meses - primeiras palavras (ex.: mama, papa);
  • 7 meses - senta sem apoio;
  • 8 meses - engatinha (não obrigatório);
  • 9 meses - escala móveis;
  • 10 meses - movimento de pinça;
  • 11 meses - anda com apoio;
  • 12 meses - anda sem apoio;
  • 12 a 15 meses - fala 6 palavras;
  • 15 a 18 meses - fala pequenas frases;
  • 18 a 24 meses - fala frases maiores. 


    Nenhum atraso do desenvolvimento deve ser interpretado isoladamente. Devemos observar a criança como um todo e as suas habilidades em todos os campos: motor, motor fino, linguagem e social. 


    Quando houver necessidade, a criança deve ser encaminhada para o especialista (neuropediatra ou psiquiatra infantil) e iniciar terapias de habilidades com a equipe multidisciplinar (fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, psicologia).


    O mais importante é sempre interagir com o seu filho, estimular aquisições adequadas para cada faixa etária e confiar no seu instito materno. Ninguém conhece mais os seus filhos do que vocês, mães!


"If a child can´t learn the way we teach, maybe we should teach the way they learn." Ignacio Estrada
 

 

Referências:

 

- Link para acessar TTDD-R: file:///C:/Users/cti/Downloads/Denver%20(1).pdf

 

- Developmental-Behavioral Pediatrics: evidence and practice. Wolraich ML et al. Mosby Elsevier, 2008.


- Manual de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento. Sociedade Brasileira de Pediatria, 2014.