DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NA INFÂNCIA

Chegou o outono e agora? Quem tem filho pequeno sabe que de março a setembro ocorre a temporada de doenças respiratórias! O quadro é sempre o mesmo: espirros, nariz escorrendo, dor de garganta, febre e tosse...muuuuuuita tosse!
11 de Abril de 2018

crianca-tossindo-crianca-gripada-menina-doente-1368199974366_956x500.jpg

 

Mas por que isso acontece? Com a chegada do outono e inverno, o frio, o tempo seco e a menor dispersão dos poluentes pioram a qualidade do ar, o que por si só já seriam fatores irritantes das mucosas respiratórias. Isso tudo associado à tendência de aglomeração em locais fechados faz com que as infecções respiratórias aumentem a sua incidência neste período do ano. Vírus e bactérias acabam se transmitindo de pessoa a pessoa com maior facilidade, causando alguns surtos e até epidemias.

 

A transmissão ocorre pelas secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar ou tossir, mas também pode acontecer por meio do contato das mãos com superfícies contaminadas por secreções respiratórias de um infectado. Nesses casos, o indivíduo carrega o agente infeccioso das mãos diretamente para a boca, nariz e olhos.

 

As principais doenças respiratórias da infância são: resfriado comum, gripe, bronquiolite e pneumonia. O resfriado comum costuma ter um quadro de sintomas mais brando  e duração mais curta (3 a 5 dias). Já a gripe, por sua vez, tem início súbito, é mais debilitante e tem duração média de 1 semana. A bronquiolite e a pneumonia são doenças mais graves que cursam com desconforto respiratório e podem necessitar de internação.

 

Existem vários tipos de vírus e bactérias que causam esses tipos de doenças. O vírus da Influenza, juntamente com o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o Adenovírus e o Metapneumovírus são os agentes principais. Entre as bactérias, o Pneumococo ainda é o agente causador mais comum de pneumonia em crianças no Brasil.

 

E o que podemos fazer para prevenir? Evitar aglomerações em lugares fechados e mal ventilados, realizar frequentemente a lavagem das mãos ou uso de álcool-gel, evitar o contato próximo com pessoas com os sintomas das doenças e realizar a vacinação anual contra a Influenza.

 

As vacinas influenza disponíveis no Brasil são todas inativadas (de vírus mortos), portanto sem a capacidade de causar doença. Até 2014, estavam disponíveis no Brasil, apenas as vacinas trivalentes, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B (linhagem Yamagata ou Victoria). As novas vacinas quadrivalentes, licenciadas desde 2015, contemplam, além dessas três, uma segunda cepa B, contendo em sua composição, as duas linhagens de Influenza B: Victoria e Yamagata. Como as trivalentes, as vacinas quadrivalentes são inativadas e não possuem adjuvantes em sua composição.

 

Em 2018, as vacinas trivalente e quadrivalente terão uma nova cepa A/H3N2 (Singapore), que substituirá a cepa A/H3N2 (Hong Kong) presente no ano anterior. Por isso a importância da vacinação ser realizada todo ano!

 

Nos postos de saúde estará disponível a partir de 23 de Abril de 2018, a vacina Trivalente para os seguintes grupos:

- Indivíduos acima de 60 anos;

- Crianças de 6 meses a 5 anos;

- Gestantes;

- Puérperas até 45 dias após o parto;

- Profissionais de saúde;

- Professores de escolas públicas e privadas.

 

Nas clínicas de vacinação privadas, estará disponível a vacina Quadrivalente. Ambas são vacinas seguras e a principal reação vacinal é dor no local da aplicação. Eventualmente pode ocorrer febre e dores musculares.

 

Não existe contra indicação a vacina e todos os indivíduos acima de 6 meses de idade podem se vacinar! Gestantes e imunodeprimidos devem se vacinar pois são grupos de risco para complicações da doença. As mães que estão amamentando bebês menores de 6 meses também devem se vacinar pois reduzem o risco de adquirir a doença e assim transmitir para o bebê, assim como, passam os anticorpos vacinais pelo leite materno. Os alérgicos a ovo também podem se vacinar!

 

O esquema vacinal para crianças de 6 meses a 9 anos consiste em 2 doses com intervalo de 30 dias entre elas no ano da primeira vacinação. Nos anos seguintes somente uma dose é necessária. Para os demais grupos e crianças acima de 9 anos, desde o primeiro ano de vacinação, só é recomendado uma dose da vacina.

 

Mas mesmo tomando todos os cuidados para prevenir as doenças respiratórias, meu filho ficou doente...e agora?

 

Nesse caso nada de pânico! A melhor maneira para aliviar os sintomas e eliminar as secreções que se acumulam nas vias respiratórias é realizar inalação com soro fisiológico 0,9% seguida de lavagem nasal abundante, também com soro fisiológico 0,9%. E sempre consulte o seu pediatra para ser orientado sobre os sinais de alarme.

 

A boa notícia é que após o terceiro ano de vida, o número de doenças respiratórias diminui bastante a cada ano pois a criança vai adquirindo imunidade contra a maior parte dos tipos de vírus.

- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

- Ministério da Saúde