CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO 2019

Nos últimos anos, várias vacinas foram acrescentadas ao Programa Nacional de Imunização (PNI), que são as vacinas dadas pelo SUS. Hoje pode-se dizer que o programa de vacinas do Brasil é um dos mais completos do mundo. Vamos falar um pouco sobre cada vacina e quais as recomendações mais atuais.
28 de Maio de 2019

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Nos últimos anos, várias vacinas foram acrescentadas ao Programa Nacional de Imunização (PNI), que são as vacinas dadas pelo SUS. Hoje pode-se dizer que o programa de vacinas do Brasil é um dos mais completos do mundo.

Crianças prematuras seguem o calendário com algumas particularidades, bem como crianças com alguma imunodeficiência primária ou adquirida. 

Quando a vacinação é iniciada fora da idade idealmente recomendada, os esquemas podem ser adaptados de acordo com a idade de início, respeitando-se os intervalos mínimos entre as doses. Todas as vacinas podem ocasionar eventos adversos, em geral leves e transitórios.

Vamos falar um pouco sobre cada vacina e quais as recomendações atuais.

 

BCG

 

Vacina contém o bacilo de Calmette & Guérin atenuado. Feita ainda na maternidade, logo após o nascimento. É aplicada via intradérmica, no braço direito da criança. A dose é única.

Protege somente contra as formas graves de tuberculose, como tuberculose disseminada ou neurotuberculose. Após 2 a 3 semanas ocorre uma reação local, como se fosse uma ferida que logo cicatriza.

Não se recomenda mais a revacinação de crianças que não apresentem cicatriz no local da aplicação após 6 meses.

Em recém-nascidos filhos de mãe que utilizaram imunossupressores na gestação, ou com história familiar de imunossupressão, a vacinação poderá ser adiada ou contraindicada.

SUS x particular: sem diferenças

 

Hepatite B – HepB

 

Feita de uma parte do vírus que causa a doença. Protege contra a infecção pelo vírus da Hepatite B. É segura e eficaz, não costuma dar reação. Esquema de 3 doses, com 0, 2 e 6 meses de vida, para garantir uma proteção adequada. Prematuros recebem uma dose a mais com 4 meses.

Crianças maiores de 6 meses e adolescentes não vacinados devem receber 3 doses da vacina no esquema 0, 1 e 6 meses. 

SUS x particular: primeira dose feita isolada (sem outras vacinas), portanto sem diferença.

 

DTP/DTPa – Difteria, Tétano e Pertussis (tríplice bacteriana)

 

Protege contra difteria (crupe), tétano e coqueluche (a doença da tosse comprida!). A vacina contém o toxóide diftérico e o toxóide tetânico, e o componente inativado da bactéria pertussis. Essa vacina é feita aos 2, 4 e 6 meses, um reforço com 15 meses e outro com 4 anos.

Atenção! Gestantes devem receber, a cada gravidez, uma dose da vacina dTpa a partir da vigésima semana de gestação, com o objetivo de transferir anticorpos protetores contra a coqueluche para o recém-nascido. Aquelas que perderam a oportunidade de serem vacinadas durante a gestação, deverão receber uma dose de dTpa no puerpério, o mais precocemente possível.

SUS X particular: O SUS disponibiliza a vacina DTP, que tem o componente inativado da bactéria pertussis, responsável por reações como febre, dor, choro inconsolável e hipoatividade. Outras reações adversas mais raras podem ocorrer, como a convulsão. O particular tem a vacina DTPa, com 3 antígenos de pertussis purificados (acelular). Sua eficácia é semelhante à DTP e costuma dar menos reações adversas ou muito mais leves quando presente.

 

Hib – Haemophilus influenzae

 

Protege contra doenças como meningite, pneumonia e epiglotite (inflamação da glote, com falta de ar intensa e grave) pela bactéria Haemophilus tipo B. A vacina é composta por partes da bactéria conjugadas a uma proteína. Devem ser administradas 3 doses com 2, 4 e 6 meses, e um reforço com 15 meses, juntamente com a DTP.

SUS x particular: sem grandes diferenças, porém como é feita juntamente com a vacina DTP/DTPa e HepB, quando opta-se por fazer em um lugar, é feita junta com as outras vacinas.

 

VOP/VIP – Poliomielite oral ou inativada

 

Protege contra a paralisia infantil. Existem dois tipos de vacina: a Sabin (VOP), produzida com o vírus vivo atenuado, em gotinha por via oral, e a Salk (VIP), produzida com o vírus inativado, dada por via intramuscular.

As três primeiras doses, aos 2, 4 e 6 meses, devem ser feitas obrigatoriamente com a vacina pólio inativada (VIP). A recomendação para as doses subsequentes é que sejam feitas preferencialmente também com a vacina inativada (VIP). 

Nesta fase de transição da vacina pólio oral atenuada (VOP) para a vacina pólio inativada (VIP) é aceitável o esquema atual recomendado pelo PNI que oferece três doses iniciais de VIP (2, 4 e 6 meses de idade) seguidas de duas doses de VOP (15 meses e 4 anos de idade). Desde 2016 a vacina VOP é bivalente, contendo os tipos 1 e 3 do poliovírus, podendo ser utilizada na rotina nas doses de reforço ou nas Campanhas Nacionais de Vacinação. Evitar VOP em todas as crianças imunocomprometidas e nos seus contatos domiciliares. Nestas circunstâncias utilizar a VIP.

SUS x particular: No SUS, a vacina Salk (vírus inativado) e feita somente aos 2, 4 e 6 meses seguidas de duas doses de VOP (15 meses e 4 anos de idade). No particular, a vacina é sempre a Salk, com vírus inativado, o que exclui o risco do desenvolvimento de pólio vacinal. A pólio vacinal consiste no desenvolvimento de poliomielite secundário à vacina. Como foram raríssimos os casos (1 em 1 bilhão de pessoas), considera-se o benefício maior que o risco. O fato de o SUS ter implementado a vacina inativada nas tres primeiras doses diminui muito o risco do desenvolvimento da doença pela vacina.

Por isso, só dê a gotinha da campanha para seu bebê maior de 6 meses! A campanha tem o intuito também de atualizar o cartão vacinal da criança.

 

Pneumocócica conjugada (Pneumo-10 ou Pneumo-13)

 

Protege contra vários sorotipos da bactéria pneumocócica, que causa doenças como meningite e pneumonia.

A vacina conjugada é assim chamada pois é composta de polissacarídeos com vários sorotipos da bactéria, conjugada a uma proteína, os adjuvantes da vacina, que conferem à vacina uma proteção duradoura, pois desenvolve a memória imunológica. 

Administrada aos 2, 4 e 6 meses, com um reforço entre 12 e 15 meses.

SUS x particular: o particular oferece a vacina 13-valente, que protege contra 13 sorotipos do pneumococo, enquanto a do SUS é 10-valente e protege contra 10 sorotipos. Crianças saudáveis com esquema completo com a vacina 10-valente podem receber uma dose adicional da vacina 13-valente, até os cinco anos de idade, com o intuito de ampliar a proteção para os sorotipos adicionais.

 

Vacina Hexavalente: combinação das 4 vacinas: Hepatite B, DTPa, Hib e VIP. Como foi dito acima, costuma dar menos reações pois a DTPa é acelular! Essa vacina está disponível só no particular e é feita numa picada só.

 

Vacina Pentavalente: combinação das 3 vacinas: Hepatite B, DTP e Hib. A VIP é dada à parte na rede pública (SUS). São 2 picadas. Costuma dar mais reação pois a DTP é celular.

 

Rotavírus

 

O rotavírus é o grande causador de diarréia nessa fa;ixa etária. A vacina é o vírus vivo atenuado, e é em gotinha. Deve ser dada em 2 doses, se for a monovalente oferecida pelo SUS, ou em 3 doses, se for a pentavalente disponível no particular. O intervalo mínimo entre as doses é de 1 mês. Se a criança regurgitar, cuspir ou vomitar logo após receber a vacina, não se deve repetir a dose. Recomenda-se completar o esquema da vacina do mesmo laboratório produtor.

SUS x particular: No SUS a vacina é monovalente e protege contra apenas um sorotipo do vírus. O esquema vacinal deve ser aos 2 e 4 meses, com início no mínimo 1 mês e meio, e no máximo 7 meses.

No particular, a vacina é pentavalente e protege contra 5 sorotipos. O esquema vacinal é em 3 doses, aos 2, 4 e 6 meses.

 

Meningocócica conjugada – MenC

 

A vacina meningocócica protege contra doenças graves como meningite e meningococcemia, responsável por uma grande número de mortes em crianças, ou causadora de sequelas graves. O meningococo C ainda é o sorotipo mais prevalente no Brasil atualmente, porém os demais sorotipos vem aumentando de incidência.

No Brasil estão licenciadas as vacinas: MenC, MenACWY-CRM e MenACWY-TT a partir de 2 meses. O esquema de doses varia conforme a vacina utilizada. 

  • MenC: duas doses, aos 3 e 5 meses de idade e reforço entre 12-15 meses. Iniciando após 1 ano de idade: dose única. 
  • MenACWY-CRM: três doses aos 3, 5 e 7 meses de idade e reforço entre 12-15 meses. Iniciando entre 7 e 23 meses de idade: 2 doses, sendo que a segunda dose deve ser obrigatoriamente aplicada após a idade de 1 ano (mínimo 2 meses de intervalo). Iniciando após os 24 meses de idade: dose única. 
  • MenACWY-TT: duas doses, aos 3 e 5 meses de idade e reforço en- tre 12-15 meses. Iniciando após 1 ano de idade: dose única. 

A recomendação de doses de reforço 5 anos após (entre 5 e 6 anos de idade para os vacinados no primeiro ano de vida) e na adolescência (a partir dos 11 anos de idade) é baseada na rápida diminuição dos títulos de anticorpos associados à proteção, evidenciada com todas as vacinas meningocócicas conjugadas.

SUS x particular: No SUS só está disponível a vacina MenC e no particular, está disponível a vacina MenACWY que possui maior espectro de proteção. 

 

Meningocócica B recombinante 

 

Recomenda-se o uso da vacina meningocócica B recombinante para lactentes, crianças e adolescentes. Protege contra o Meningococo B, causador de meningite bacteriana. Por ser uma vacina recentemente aprovada aqui no Brasil, tem somente no particular. 

Como é o esquema vacinal? São 2 doses com 3 e 5 meses, e um reforço entre 12 e 23 meses.

Para aqueles que iniciam a vacinação entre 3 e 12 meses de idade, são recomendadas duas doses com intervalo mínimo de 2 meses entre elas, além de uma dose de reforço no segundo ano de vida. 

Aqueles que iniciam a vacinação entre 12 e 23 meses devem também receber o esquema de duas doses, com dois meses de intervalo entre elas, além de uma dose de reforço. 

Finalmente, para crianças que iniciam a vacinação após os dois anos, e adolescentes, são indicadas duas doses com intervalo de 2 meses entre elas. 

Não se conhece, até o momento, a duração da proteção conferida pela vacina e a eventual necessidade de doses adicionais de reforço.

É uma vacina que provoca reação de dor e enduramento no local da aplicação. Para amenizar esses sintomas, foi liberado uso de anti-térmico (paracetamol) antes da aplicação da vacina sem impacto na imunogenicidade.

 

Influenza

 

Protege contra o vírus Influenza da gripe. Está indicada para todas as crianças a partir dos 6 meses de idade, e também para gestantes e puérperas. A vacina é composta por vírus mortos, sendo assim, não causa a doença!

Esquema vacinal: A primeira vacinação da criança deve ser feita em 2 doses, com intervalo de 1 mês, depois 1 única dose, uma vez por ano. Como é uma doença sazonal, ela é aplicada na época da campanha.

SUS x particular: sem grandes diferenças. O particular oferece a vacina da gripe trivalente (3 sorotipos), e o particular a vacina tetravalente (4 sorotipos).

 

Febre Amarela

 

Essa vacina é indicada para residentes ou viajantes para áreas e endêmicas (10 dias antes): todos os estados das regiões Norte e Centro Oeste; Minas Gerais e Maranhão; alguns municípios dos estados do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Indicada também para pessoas que se deslocam para países em situação epidemiológica de risco. Alguns países do exterior recomendam realizar a vacina antes de viajar, com comprovação de apenas uma dose. 

A vacina pode ser realizada a partir dos 9 meses e não há necessidade de reforço. Não deve ser dada no mesmo dia que a vacina tríplice viral (SCR), com um intervalo entre elas de 30 dias. É contra-indicada para gestantes e pacientes imunodeprimidos.

 

SCR – Sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral)

 

Protege contra infecções virais altamente contagiosas, e que você previne com a vacina! O sarampo é uma doença que causa uma vermelhidão intensa, principalmente no rosto, febre e queda do estado geral, além de poder causar algumas complicações (como a pneumonia). A caxumba é uma inflamação da glândula parótida. Parece uma íngua no pescoço. A rubéola também é uma doença que causa vermelhidão intensa no corpo e pode levar a complicações no feto durante a gestação.

Atenção: As vacinas são feitas com vírus vivo atenuado. Para crianças imunodeprimidas a vacina é contra indicada.

O esquema vacinal é feito em 2 doses, a primeira com 12 meses e a segunda dose com 15 meses.

SUS x particular: é a mesma vacina.

 

Varicela

 

A varicela (catapora) é uma doença super comum, que consiste em uma doença febril, com vesículas avermelhadas pelo corpo todo, muito pruriginosas e que pode levar a algumas complicações! É causada pelo vírus varicela zoster, “primo” do herpes zoster! A vacina protege somente contra as formas graves de varicela, como pneumonia e meningoencefalite pela varicela. A vacina é do vírus vivo atenuado. 

O esquema vacinal é feito com 2 doses, uma aos 12 e outra aos 15 meses. Intervalo mínimo de 3 meses entre as vacinas.

O PNI introduziu a segunda dose da vacina varicela aos 4 anos de idade em 2018. A vacina varicela pode ser indicada na profilaxia pós-exposição dentro de cinco dias após o contato, preferencialmente nas primeiras 72 horas.

SUS x particular: é a mesma vacina.

 

Vacina quadrivalente viral

 

Associação da tríplice viral (SCR) com a varicela, numa mesma picada. Tem maior associação com ocorrência de febre do que se feito separadamente.

 

Hepatite A

 

É a vacina que protege contra a hepatite A, uma doença que causa inflamação no fígado causado por um vírus. A vacina é feita com o próprio vírus inativado. 

O esquema vacinal são 2 doses, a primeira a partir dos 12 meses, com intervalo de 6 meses. Não costuma dar reações adversas.

SUS x particular: o SUS oferece apenas a primeira dose (aos 15 meses). São 2 doses com intervalo de 6 meses.

 

HPV

 

Essa vacina protege contra o vírus HPV, principal causador do câncer de colo de útero na mulher, e também das verrugas genitais. O vírus é transmitido pelo contato sexual, ou de mãe para filho, no canal de parto. 

Existem 2 vacinas disponíveis no Brasil. A vacina bivalente, que protege contra os vírus 16 e 18, e a vacina quadrivalente, que protege contra os vírus 6,11, 16 e 18. Nenhuma reação adversa relatada foi associada à vacina.

São recomendadas em duas doses com intervalo de 6 meses entre elas para indivíduos entre 9 e 14 anos, e em três doses (0, 1 a 2 e 6 meses) para maiores de 15 anos. A HPV4 está indicada para ambos os sexos (é a vacina disponível no PNI) e a HPV2 apenas para indivíduos do sexo feminino.

SUS x particular: Não há diferença. No SUS, a vacina HPV4 está disponível para meninos e meninas a partir de 9 anos.

 

Dengue

 

A vacina dengue foi licenciada em nosso país no esquema de três doses (0, 6 e 12 meses) e está recomendada para crianças e adolescentes a partir de 9 anos até no máximo 45 anos de idade que já tiveram infecção prévia pelo vírus da dengue (soropositivos). 

Está contraindicada para gestantes, mulheres que amamentam e portadores de imunodeficiências. A vacina não deve ser administrada simultaneamente com outras vacinas do calendário.

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Calendário de Vacinação da Sociedade Brasileira de Pediatria 2019

- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

- Ministério da Saúde: Programa Nacional de Imunizações (PNI)