TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A DENGUE!

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas últimas décadas, a dengue reemergiu em mais de 100 países, e mais da metade da população mundial vive em áreas endêmicas da doença e/ou sob risco de transmissão. Em face do aumento do número de casos, saiba como proteger sua família contra dengue!
07 de Junho de 2019

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A dengue representa importante impacto na morbimortalidade no Brasil. Estima-se que boa parte dos brasileiros que vive em áreas de alta transmissão tenha contraído dengue pelo menos uma vez até atingir a idade de nove anos.

 

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o número de casos de dengue até o dia 11 de maio desse ano (2019) aumentou 432% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso significa um salto de cerca de 144 mil casos prováveis de infecção para 767 mil suspeitas reportadas. As mortes também passaram de 88 para 222, sendo a maior parte delas (80 casos) em São Paulo. Mas quais seriam os motivos por trás desse aumento no número de casos? A explicação é que esse ano tivemos a predominância do vírus tipo 2, que não circulava há algum tempo. Logo, havia menos pessoas imunizadas contra ele, o que fez aumentar o número de casos de dengue. Isso não significa, no entanto, que a dengue ficou mais grave.

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Aedes Aegypti

O vírus da dengue é um arbovírus da família Flaviviridae, gênero Flavivírus, que inclui quatro tipos distintos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, mantendo-se na natureza pela multiplicação em mosquitos hematófagos do gênero Aedes. O ciclo de transmissão da doença se inicia quando o mosquito Aedes (o aegypti é o principal vetor da doença no Brasil) pica uma pessoa infectada. O vírus multiplica-se no intestino médio do vetor e infecta outros tecidos chegando às glândulas salivares. Uma vez infectado, o mosquito é capaz de transmitir o vírus enquanto viver. Não há transmissão da doença de pessoa a pessoa, sem a participação do vetor. Após a picada do mosquito, o ciclo de replicação viral com a disseminação do vírus pela corrente circulatória (viremia) inicia-se no indivíduo infectado. Os primeiros sintomas como febre, dor muscular, mal estar e cefaleia surgem após um período médio de incubação de 5 a 7 dias.

 

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Exantema do vírus da dengue.

Como posso saber se uma criança está com dengue?

 

A dengue é uma doença febril, como muitas outras que acometem frequentemente as crianças. Além da febre, que costuma ser elevada e não persistir por mais de sete dias, elas podem apresentar dor de cabeça, principalmente “atrás dos olhos”, dores no corpo, sensação de moleza, diarreia, vômitos e surgimento de manchas avermelhadas na pele (geralmente após o terceiro dia do início da febre). Nos bebês, que ainda não sabem se expressar com palavras, a suspeita de dengue é mais difícil. Nesses casos, chama atenção quadros de febre elevada e persistente, prostração ou irritabilidade intensa, com choro fácil, como se estivesse sentindo dor, e ainda recusa da alimentação, diarreia e vômitos.

 

Como confirmar se o caso é mesmo dengue?

 

Se uma criança apresentar sintomas de dengue, o médico solicitará alguns exames de sangue. Nessa etapa da investigação, com os resultados ele consegue fazer o diagnóstico exame, diferenciando a dengue de outras doenças que causam febre. Os tipos de exames mais comuns são o hemograma e os sorológicos para confirmação da doença.

 

Quais os sinais de alarme para levar a criança ao pronto socorro?

 

Devem procurar assistência médica imediata as crianças com suspeita de dengue que apresentem dor abdominal forte e persistente, vômitos recorrentes, sangramentos, tontura ou desmaio, respiração rápida.

 

O que podemos fazer para aliviar os sintomas?

 

Infelizmente não existe tratamento curativo para dengue, apenas suporte. Na criança com dengue a febre pode ser controlada com o uso de paracetamol ou da dipirona. O AAS (ácido acetilsalicílico) e os anti-inflamatórios (como ibuprofeno) são contraindicados. Não devem ser utilizados, pois aumentam o risco de ocorrência de sangramentos. Além disso, a criança deve ser incentivada a ingerir bastante líquidos

 

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Como proteger a sua família da dengue?

 

  • O mais importante é eliminar focos de água parada onde o mosquito possa se desenvolver: vasos de plantas, sanitários sem tampa, ralos sem tela protetora, baldes, garrafas, pneus, água detrás da geladeira e ar condicionado. Uma vez por semana é necessário procurar e acabar com esses focos usados pelo mosquito para se desenvolver em sua casa e incentivar que os seus vizinhos façam o mesmo. Leva apenas uma semana para que a larva do mosquito se transforme num mosquito capaz de infectar muitas pessoas.
  • Para as crianças maiores de 6 meses, devemos usar repelentes sempre que a criança estiver exposta. Preferir os repelentes em creme, gel ou loção (evitar spray nas crianças menores pelo risco de inalação). O repelente de inseto deve ser aplicado nas áreas expostas - incluindo o rosto - no máximo três vezes ao dia. É necessário cuidado ao aplicar no rosto, evitando contato com as mucosas – boca, nariz e olhos. Há basicamente três tipos de repelentes disponíveis no Brasil. O que contém DEET, IR 3535 ou icaridina. O primeiro deles, o DEET, é um dos mais comuns e protege a pessoa das picadas de inseto por quatro horas, em média. O IR 3535 também afugenta os mosquitos por até quatro horas. O mais eficiente deles, à base de icaridina, consegue afastar os mosquitos por até 10 horas, reduzindo a quantidade de aplicação ao longo do dia.
  • Use telas nas janelas e mosquiteiros no berço, para impedir a passagem do mosquito. Lembre-se de usar o acessório também no carrinho, quando for passear com a criança.
  • Se for usar calças compridas e mangas longas para proteger a pele das crianças, principalmente das menores de 6 meses, que ainda não podem usar repelente, prefira aquelas mais soltas e com tecidos naturais, como o algodão. Assim, seu filho fica protegido, sem sofrer com o calor.
  • Prefira vestir a criança com roupas claras porque isso facilita a visualização e identificação do mosquito, caso ele se aproxime da criança.

 

É verdade que quem já teve dengue uma vez tem maior risco de apresentar formas graves da doença?

 

Os quatro sorotipos de dengue têm potencial para causar formas graves da doença e a exposição a um segundo sorotipo, após imunidade conferida pela primo-infecção, torna essa possibilidade ainda mais palpável, fenômeno esse conhecido como amplificação da resposta imune.

Sabe-se que a infecção por um dos sorotipos do vírus da dengue (DENV) confere proteção cruzada de curto prazo para todos os sorotipos e de longo prazo contra infecção pelo mesmo sorotipo.

 

Existe vacina para a dengue?

 

Até o momento só uma vacina dengue está licenciada no mundo (Dengvaxia®) e deve ser aplicada somente em indivíduos que já tiveram dengue (em risco de segunda infecção), entre 9 e 45 anos de idade, como preconiza o calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

 

Então é isso gente! Vamos nos cuidar e cuidar da nossa família para vencermos mais essa epidemia de dengue no nosso país.

 

- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP)

- SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA

- MINISTÉRIO DA SAÚDE